Ontem lá pelas tantas fazendo zapping pelos canais, de pois de ter passado o dia todo estudando, parei para ver Tróia pela centésima vez. Eu adoro este filme por vários motivos. Primeiro que eu adoro filmes épicos, de prícipes e princesas, heróis fantásticos, lendas.... Confesso, também adoro o Brad Pitt e neste filme ele está espetacular.
Mas o motivo do post é uma reflexão para minhas amigas solteiras e para as casadas também. Veja o filme de novo e suponha que nenhum dos 2 morre no filnal (não estou sendo sem graça, todo mundo sabe que eles morrem e o filme é de 2004). Com qual dos 2 você ficaria? Ou cutucando um pouco a imaginação, qual dos 2 te atrai mais e por que? Há um segundo príncipe nesta história, o irmão caçula Paris. Um panaca completo, covarde, fanfarrão, que começou a confusão toda mexendo com a mulher do próximo quando o próximo estava bem próximo.
Não vou gastar muito tempo falando deste panaca. O recado é: fujam deste tipo sedutorzinho de meia pataca. Eu prefiria quando este ator era Elfo em O Senhor dos anéis. Não entendo como é que a anta da Helena foi se apaixonar por este panaca. Carência pura, pobre mulher, casada com um rei fanfarrão com barba de trancinhas. O primeiro que aparecesse na frente dela levava, mas ela podia ter sido mais seletiva. E o filme é injusto: no final só o panaca sobrevive e termina com a Helena causadora da guerra que mata os heróis Hector e Aquiles. E é este panaca que acaba com Aquiles dando uma flechada em seu calcanhar. Até prá isso é um incompetente! Se fosse bom atirador acertava em outro lugar. Muito me espanta que não tenha dado uma flechada no próprio pé. Ah, isso sem falar do vexame que ele dá quando vai duelar com o marido chifrudo da Helena. O rei fanfarrão ganha o duelo na barrigada. O bobalhão leva 1 corte na perna, nem tem força para segurar a espada e vai se esconder nas pernas do irmão Hector. E depois, a besta cega da Helena, costurando sua perna, tenta reconfortá-lo quando ele se assume um covarde panaca. "Ele é um guerreiro muito forte, a luta foi muito difícil". E é desse jeito que a gente assiste mulheres sustentando este tipo de panaca na vida real, passando a mão na cabeça oca e preguiçosa destes tipinhos, que estão sempre se colocando como vítimas da vida.
Numa época de fanfarrões, beberrões cheios de mulheres e batalhas sangrentas, Hector e Aquiles se diferenciavam. Aquiles é um herói guerreiro, que luta por prazer. É um fanfarrão e um galinha, só pensa nele mesmo e não tem compromisso com nada nem com ninguém. Mas tem mais classe do que os outros. Depois de uma noitada, o rei o chama para duelar com um gigante. Ele acorda de ressaca ao lado de uma peladona, veste a armadura, vai lá e faz o serviço. O rei é um fanfarrão de primeira, o que é casado com Helena. Atura a Aquiles porque ele resolve as paradas.
Hector, o príncipe e filho mais velho de um rei classudo, é casado com uma mulher linda e eles têm um bebê muito fofo. Ele esculpe um leãozinho de madeira para o filhinho, brinca com ele, é apaixonado pela mulher. Chega em casa com saudades da família. Embala o filhinho nos braços e ama sua mulher. Com a confusão armada, ela implora que ele não compre a briga do irmão (isso mesmo amiga! O cunhado panaca que se frite sozinho por causa da galinhagem com a mulher do rei fanfarrão). Hector é muito valente, é o comandante do exército, o orgulho do pai. Tem responsabilidade com a família e tem que defender o reino. Aquiles o respeita. Não quis duelar com Hector na batalha do templo porque não tinha platéia. "Nossos nomes e esta batalha vão ficar na história", ele diz. "Volte para casa príncipe, faça amor com a sua mulher e amanhã duelaremos". Hector leva a pior no duelo, que sacanagem. A viúva chora e a babaca da Helena a consola. Eu esganaria a Helena ali mesmo, a culpa foi dela que começou aquela confusão toda.
Entre as batalhas a prima virgem dos príncipes que se ofereceu aos deuses é sequestrada. Os fanfarrões ameaçam fazer maldades com ela. Mas chega Aquiles e salva a moça. Leva-a para sua tenda. Tenta cuidar dela, mas ela é durona... e virgem, até a página 2. Enquanto Aquiles dorme, ela pega um punhal e encosta no pescoço dele. Estava com muita raiva desse Aquiles fanfarrão e galinha que estava "causando". Mas a raiva passa em 2 segundos quando Aquiles usa todo seu charme sedutor e a virgem prima não pensa muito para se entregar e esquecer dos deuses. Na cena seguinte ela aparece dormindo, parecendo exausta, com um braço pendendo para fora da cama. Rola um gueri-gueri entre eles na tenda do Aquiles, e pela primeira vez ele parece se apaixonar. No final se ferrou por causa dela. A vida cobra, amigão. Na batalha final ele tenta encontrá-la no palácio em chamas, faz uma jura de amor, mas o incompetente do Paris aparece e dá a flechada fatal. Ele ele jaz espetado no chão, chorando de dor e de amor, mas orgulhoso de si mesmo porque seu nome ia virar lenda. Era o que ele mais queria.
Bom, já é o suficiente para caracterizar o tipo Hector e o tipo Aquiles. Há livros e mais livros de auto ajuda para mulheres que escolhem os homens errados e não se acertam nos relacionamentos. Aquiles é um cafajeste, mas é capaz de salvar a moça, seduzi-la (não precisou muito esforço), apaixonar-se por ela e morrer por causa dela. Na vida real é quase um milagre topar com um Aquiles e você ser a sortuda da prima virgem. Não se iluda: é difícil remendar um tipo como o Aquiles.
Minha sugestão: prefira o tipo Hector. É difícil encontrar um, mas não é impossível. Não se trata de correr atrás de um príncipe encantado. Hector não tem nada de encantado. No filme ele é bem real. É pai de família, tem um exército para administrar, ama a mulher e ainda conserta as mazelas do irmão panaca. Não tem a vaidade de ser uma lenda como Aquiles e fica longe dos fanfarrões.
Eu fui uma sortuda que casou com um tipo Hector. Dr W diz para eu não idealizar as coisas, que quem aposta sua felicidade nos outros ou nas coisas sofre muito com a decepção do ilusório. O meu Hector não é idealizado, é bem real, uma das melhores pessoas que eu conheço. Quem conhece nossa história de amor sabe que ele largou tudo para ir para o Perú comigo. E depois largou tudo para voltar para o Brasil comigo. Em abril cumprimos 10 anos juntos (11 meses de namoro e 9 de casados). Depois de quase ter me casado com um falso Hector que na verdade era um Paris, eu encontrei o meu Hector verdadeiro. Quando fui convidada para ir para o Perú eu fiquei feliz e arrasada ao mesmo tempo. Putz, logo agora? Cheguei em casa chorando e entre lágrimas me perguntava por que eu tinha que fazer aquela escolha. Quando ele chegou, me disse para eu não chorar mais, porque eu não ia ter que fazer escolha nenhuma. "Vamos casar e vamos para o Perú. É a sua chance. Eu me viro. Na pior hipótese viro taxista ou entregador de pizza". Nunca vou me esquecer destas palavras. Um Hector de verdade não precisa ser príncipe o tempo todo. Ele é humano e real, encara as dificuldades com honra e coragem, e coloca o amor acima de tudo.
Li uma reportagem da Carolina Dickeman sobre ser mãe pela segunda vez (na Contigo mesmo, cultura de salão de beleza). Achei super babaca quando ela diz que não sabia se ia amar o segundo filho como o primeiro, porque já era amor demais. Aí conclui que o amor expande. Drrrrrrrr. Mas acerta quando fala do marido parceirão que ajuda a criar os meninos, vai na natação com o bebê, acorda na hora das mamadas. Disse que quando se tem filhos o casal não se vê mais como marido e mulher, mas como pai e mãe (muita calma nessa hora para não esculhambar o casamento). Mas se apaixonou mais ainda pelo marido agora no papel de pai. Tenho certeza que meu Hector vai ser um pai maravilhoso, que vai esculpir um leãozinho de madeira para o bebê brincar. Não vemos a hora deste momento chegar.
E hoje que é um domingo ensolarado e fim de feriadão, meu Hector está em casa, dando suporte e cuidando de tudo para eu poder estudar. Para terminar este post épico e açucarado, segue um video de uma canção muito velha, mas que eu delego como minha declaração de amor para o meu Hector.
I can't take my eyes off you
Temos um amigo muito figura que diz para eu esconder esse homem senão ele se casa com ele. Pode tirar seu cavalo de Tróia da chuva.
Leti... hoje o meu Hector está com dor porque foi no dentista e sem duvidar um segundo da sua "hombria" veio se refugiar em mim assim que cheguei em casa...cada dia diferentes momentos e experiencias juntos me demonstram que fiz a escolha certa... tenho certeza que ele também vai esculpir brinquedinhos para os nossos filinhos brincar... Feli
ResponderExcluirLetícia,
ResponderExcluirVocê nunca soube, mas seu casamento já foi comentado por mim, em muitas ocasiões...quando minhas Amigas falam de seus namorados e amantes que querem e muitos desejam que elas larguem tudo para acompanhá-los...mundo afora...o inverso quase nunca acontece.
Seu Hector ...esperou muito tempo para encontrá-la...assim como você a ele...
Um brinde à voces, ao Amor que cresce dia a dia...e se fortalece, na cumplicidade e no companherismo das horas incertas, no diálogo que se justifica e esclarece divergências...
Hector sempre foi meu preferido...seu olhar é de uma imensidão que diz a que veio e, não se arrepende de suas escolhas...o irmão pode ser fanfarrão, mas faz parte da minha família precisa apenas de tempo para crescer e se tornar um homem...ja Aquiles...é Aquiles...beijos...
Alba