Em homenagem ao Dia das Mães vou contar umas historinhas de micos de mãe. Porque para elas a gente nunca cresce. Até hoje minha mãe me dá a mão para atravessar a rua. Hoje eu não sei se é por costume ou porque ela é quem precisa dar a mão, mas enfim , minha mãezuca faz isso.
Em julho minha irmã resolveu ir nos visitar no Perú. Lima é uma cidade de praia, a temperatura média é de 18C, mas a sensação térmica é que está mais frio por conta da umidade incrível que caracteriza a cidade. POis bem, quando a gente viajou, só deu para levar 2 malas cada um. Em julho já estávamos em pleno inverno. As pessoas mal informadas pensam que Lima fica na cordilheira. É só falar em Perú que o imaginário coletivo já imagina Macchu Picchu e as lhaminhas passeando.
Minha irmã ficou com a tarefa de trazer uns mimos do Brasil e algumas coisas nossas que estavam fazendo falta, entre elas nosso cobertor peludão para frio. Já no aeroporto, com tanta tranqueira que ela tinha que trazer, tinha um mochilão só com o dito cujo cobertor. Na hora de pesar a bagagem, não deu outra: excesso. E cada kg custava uma fortuna na falecida Várig. Tinha que escolher alguma coisa para ficar. Abrir a mala ali não ia dar. Então minha irmã pensou rápido e resolveu que o cobertor não ia dessa vez
Não deu outra. Mamãe abriu o berreiro.
"O cobertorzinho da minha filha não pode ficar! Ela vai morrer de frio, não tem como pasar o inverno". Buá buá buá... A pessoa que estava fazendo o check in, compadecida da pobre mãe salvadora e da pobre filha a congelar nos Andes, resolveu pesar a mochila onde estava o "cobertorzinho".
"Minha senhora, cobertorzinho? Isso aqui pesa 8Kg!"
Não sei o que acabaram fazendo, mas o fato é que minha irmã trouxe o cobertorzinho para nós. Trata-se de um cobertor peludão para cama king size. 8Kg!!! E Embarcou sem taxa extra!
Outra de aeroporto. Meu primo estava embarcando para os USA para fazer intercâmbio. Só um mês, mas o garotão de 18 anos estava radiante. Minha tia, mãe zelosa, aos prantos. Parecia que o garoto ia para o outro lado do mundo por uma década. Eis que o garo embarca, passa a PF e segue radiante na sua aventura. Quando a chorosa mãe se dá conta, vê que o filhinho esqueceu o casaco. Ela chorou, tentou de todo jeito passar ou chamar o garoto (garoto nada, uma rapagão) para entregar o casaco. Sem chance. Mas nem tudo estava perdido! Ela TAMBÉM trabalha na PF. Nunca fez isso, mas pelo filhinho deu uma carteirada e entrou sala de embarque adentro para entregar o casaco do filhinho. Missão cumprida!
Mamãe também ficou bem experta quando fui morar fora. Não aprendeu a usar o computador e mandava faz para o escritório de Lima que pareciam lençóis. Mas ela aprendeu a despachar muambinhas pelo correio. Vou contar 2 episódios.
Uma vez era Páscoa, e a gente sempre fica meio triste por não ganhar um ovo e não comer aquela bacalhoada no domingo. Só sobrava ver Ben Hur. Para eu não ficar triste mamãe resolveu fazer uma supresa. Na época meus pais ainda tinham um comércio e tinham uma sorveteira na loja. Ela pegou um TAMBOR de sorvete (sério, media mais de 50 cm de altura), encheu com um ovão de Páscoa, ovinhos, chocolates e mimos mil. Foi no correio e despachou a Páscoa toda. Acontece que o Perú é um país traumatizado pelo terrorismo. A latona fazia um barulhão tremendo com os chocolates sacudindo lá dentro. Pensaram que era um tambor bomba ou coisa do gênero. Fui chamada na aduana para responder pela encomenda. Quando abri nem acreditei. Era muito chocolate!!! Tive que pagar a desaduanagem e o imposto de importação. Era tanto chocolate que não adiantaca argumentar que era um "regalito de mi mamá". Que "mamá" com algum juízo ia mandar um contrabando de ovo de Páscoa????? A gente comeu chocolate por meses.......
Outra suprise da mami foi num dos meus aniversários. Agora ela já sabia que não podia mandar nada que sacudisse e ficou esperta com os serviços express do correio. Uma beleza. Fez um bolo de chocolate, colocou num recipiente com tampa, mentiu na declaração de conteúdo da encomenda e pagou a taxa mais express e mais cara do mundo para o bolo chegar no dia seguinte. Deu azar. A encomenda se perdeu. Eu desconfiei que ela tinha prontado das dela e fiz ela confessar a surpresa. Ficou arrasada. Eu também, que pena. Pagou um nota pelo envio.
Mas eis que uma semana depois a encomenda apareceu. Meu marido abriu a caixa viu aquele bolão de chocolate todo esmigalhado, mas não teve dúvida. Pegou uma colher e começou a traçar o bolo. Hummm, que delicia! E como sua mãe é experta! Ela colocou esse liclor no bolo como conservante, para não estragar. Olha só, genial! Liguei na hora para avisar que o bolo chegou, agradeci o esforço, mas valeu a pena. O bolo ao licor era uma delícia, quase não sobrou bolo para deixar um pedacinho para a empregada.
Do outro lado da linha senti um certo pânico.
"Vocês comeram o bolo?"
Claro! Uma delicia e como a Sra é esperta!
"O bolo não tem licor! Ele azedou! "
Não faz mal... ou melhor feito com tanto amor não fez mal. Só uma dorzinha de barriga, mas o gosto do bolo azedo esmigalhado era sensacional!
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