É possível sim imaginar um dia específico em que sua vida parou de ser chata. Fiquei 1 ano triste e na chatice. Há exatamente 1 ano muitas coisas aconteceram, fiquei triste e a vida ficou chata. Neste último ano eu esqueci de ser feliz.
Mas de repente a vida voltou a ficar colorida. A turbulência passou. Pelo menos é o que parece e eu rezo todo dia para que seja verdade. Minha turma de amigos e eu resolvemos passar o Carnaval em Itamambuca/Ubatuba. Uma tremenda discussão para fechar o destino, porque a vontade de estarmos juntos era muita. E com um dos meus irmãos de coração decidimos surfar. Ele ia aprender; eu recordar. Há 20 anos parecia tão fácil....naquelas ondas do Guarujá, sem preocupação nenhuma.
Na véspera, fomos a Paraty, curtimos o carnaval de rua, compramos cachaças das boas (a preço de whisky) e eu, uns charutos cubanos. À noite tomamos uma garrafa inteira em 6, jogamos cartas do jogo da verdade e os não iniciados tiveram uma ressaquinha extra por conta da força do cubano (cubano mesmo: só sendo amigo íntimo para oferecer um charuto de 50 pratas). Mas no dia seguinte, estávamos eu e meu Brother de todas as aventuras, firmes, fortes e de ressaca na primeira aula de surf. Um mico completo. Felizmente, era muito cedo, e ninguém vendo a gente treinando nas pranchas de isopor na areia.
Lá pelas tantas fomos para o mar de verdade, com ondas respeitáveis, e num momento mágico, nós surfamos a mesma onda lado a lado. Neste momento a vida deixou de ser chata e se coloriu novamente. Me arrebentei toda depois, torci o joelho, mas valeu cada segundo. No dia seguinte estava lá de novo, de joelho torcido mesmo, para mais uma aula. Foram dias ensolarados e lindos, com cachoeira, rios, praia, muita DR (discutir a relação) nas pedras, uns prá lá, outros prá cá....Uns prá lá, os que gostam de água e falam sem parar, todos os dias, por qualquer tecnologia, por amor incondicional, segurando uns aos outros. Outros prá cá, os que curtem areia, não se incomodam mais com a dinâmica própria do trio, já entenderam a outra face do que é amor.
Um dia fomos para Trindade, uma praia de tombo, e pobre de mim com um biquini caretinha tomaraquecaia e caiu mesmo. Até que um dos meninos me oferece uma camiseta, só prá poder ficar à vontade para pular ondas juntos, pegar jacaré e correr das ondas imensas prá não ser engolido. Muitas risadas, bobagens, nem a gente entendia muito, mas colocam cores na vida e nas almas que foram machucadas em momentos diferentes no último ano. Literalmente, lavando a alma.
Semanas depois, 10 de março, celebramos o aniversário do BB, o Big Brother, que no ano passado passamos em Juquehí. Somos os mesmos, mas um ano depois estamos muito diferentes. A Trindade, como nos chamamos, continua firme e forte. Mas nós 3 mudamos muito no último ano, e muitas coisas aconteceram. Os 2 garotos e eu, num ano complicado e cheio de tropeços, mas de mãos dadas pela vida, e neste verão, pulando as ondinhas de Trindade. Quem olha não entende muito bem, mas é preciso os olhos do coração para entender porque os amigos são a família que escolhemos.
BB fez aniversário semana passada e comemoramos neste domingo. Desta vez na minha casa, que é casa de todos e ponto de encontro da moçada. É a vez dele de passar pelas provações, mas ele sabe que conta com os outros 2. Pelo caminho pegamos as pedras e juntos vamos construindo um castelo. A piscina finalmente foi inaugurada por uma criança, confirmando que o projeto está certo. E com 3 crianças no meio de adultos bobalhões e barulhentos, planos de mais crianças para povoar a piscina e caçar peixinhos de borracha.
Neste meio tempo entre Ubatuba e o aniversário do BB, realizei um sonho antigo, que era comprar uma moto só para mim. Hector tem a dele, a poderosa Hayabusa, a mais rápida das motos comerciais. Eu comprei uma Ninja 250cc, linda, vermelha, veloz o suficiente para as asas da minha tattoo voarem por aí.
Para minha surpresa, poucos se animaram com a motoca, que apelidei de Ginginha. Todas as nossas motos são batizadas, by the way. Os meninos ficaram preocupados, talvez por ser uma das poucas atividades que não curtimos juntos. Hector diz que o conjunto da obra é intrigante. Uma mulher de asas em cima de uma Ninja vermelha, a moto que povoa o insconsciente coletivo. Putz, que complexo. Sou só eu indo comprar pão na padaria de moto. De qualquer forma, a vida ficou mais colorida com a minha motoca. "Um mimo", como costumo brincar com minhas amigas.
A chatice e a tristeza estão indo embora. Os ventos e as ondas que as levem, porque fiquei muda, sem pensar e ter o que escrever, sem querer molhar o teclado de lágrimas. Tanta coisa mudou e aconteceu em 1 ano....E novas anedotas virão do surf, da moto, da amizade, das pessoas novas que conheci, das surpresas que a vida reserva todos os dias quando abro meus olhos e volto a dizer Bom Dia para a vida!
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