quarta-feira, 17 de março de 2010

Biologia Cultural

Esta tem sido uma semana interessante. Por coincidência emendei 2 cursos diferentes na mesma semana e está sendo legal arejar a cabeça com idéias novas.

Biologia Cultural é um conceito que foi formulado pelo chileno Maturana. Como ele mesmo diz, é um ponto de partida e prefere não falar em definições. Ele e sua companheira de instituto, Jimena, dão a certificação que dura 3 anos. Tem uma turma na Natura fazendo e gostando muito. Em 2 dias passamos pelos temas centrais, que são muito atuais e me fizeram pensar bastante.

O tema central passa por estar inteiro no presente do nosso viver para sermos capazes de enxergar e escutar o outro, abrindo espaços de relação. O passado já foi, o futuro não nos pertence, e estar por inteiro no presente amplia nossa consciência no momento que estamos vivendo.

Me intrigou bastante como eles lidam com a questão das expectativas quanto ao futuro. São criadoras de angústia, primas da exigência. Difícil é viver sem elas, mas racionalmente, é mesmo doideira esperar sobre algo que não tenho capacidade de agir sobre. Deram como exemplo a expectativa dos pais em que os filhos sejam felizes. O quanto isso é penoso para os filhos, num futuro que pertence a eles, sem foco no presente que ainda estão vivendo, não os deixando livres para que as coisas aconteçam espontaneamente. Viver no presente não quer dizer que as coisas vão acontecer de qualquer forma, mas é ter coerência das circunstâncias do que acontece no presente. Estar inteiro significa respeitar-se, não estar culpado, na certeza de que criamos as condições para a unidade deste processo.

Ansiosa como sou, eu fiquei dando voltas em torno disso. Realmente vivo projetando o futuro, me enchendo de ansiedade e da droga da insônia. Estar com o conceito na mente é uma coisa, mas vamos lá trabalhar para que se concretize. E Dá-lhe terapia, agora com o Dr J.

Outro tema interessante é a relação com o outro. O amar acontece no prazer de estarmos juntos na companía, não na expectativa. Amar também é abrir espaço para ouvir o outro. E a emoção que carrego modifica a minha escuta e a forma como o outro me entende. Somos responsáveis pelo que dizemos, mas não pelo que o outro escuta. Intrigante também é saber se nós mesmos nos escutamos, no que se chama solilóquio, o diálogo consigo mesmo, para sermos capazes de escutar o outro. Harmonizar o sentir, o prazer, as emoções é como sintonizar uma música, abrindo espaço para o escutar.

Também refletimos sobre o que conservamos para o nosso viver. Ao conservar
o que é bom para mim, abro espaço para que as coisas mudem. Tão simples como jogar as coisas velhas do armário para abrir espaço para as novas. O presente é um continum de mudança. Quando decido o que quero conservar, tudo mudo em torno desta conservação. Trata-se de ter a plasticidade de dizer sim ou não, quero ou não quero, numa autonomia libertadora.

O papo vai longe, a certificação dura 3 anos, mas a pergunta fundamental e que inicia tudo é: "Onde me dói o meu viver?". Numa cultura de competição e dominação, o que estou conservando para o meu viver?

E fui dormir com estas perguntas, sem ter ainda a resposta para nenhuma delas. Mas é um bom começo.

Um comentário:

  1. Entendeu tudo Lets! Vem pro curso vc tb. Ofereço meu grupo! É ele quem me ajuda a parar de me enroscar em conceitos e refletir sobre como estou vivendo tudo isso. É a parte mais revolucionária.

    bj

    Lu

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