A idéia de medir o FIB é originária do Butão. Hoje a ONU está evoluindo o conceito no mundo todo, baseando-se na ciência edônica, que estuda o que é que traz felicidade para o indivíduo. Os estudos científicos passam pelo estudo do nível de cortisol (hormônio do stress), mapeamento cerebral, das expressões da face, questionários, entre outros. E o assunto vem explodindo como ciência principalmente na Europa e Estados Unidos. Na Europa o país mais engajado em estudar o FIB, incluindo economistas, é a FRança.
Os estudos dizem que pessoas com maior FIB têm o sistema imunológico mais forte, são melhores líderes, mais bem sucedidos, mais produtivos, ganham mais, têm melhor auto estima, casamentos mais estáveis e se saem melhor em entrevistas. Do ponto de vista empresarial, são empresas mais rentáveis e com maior valor de suas ações.
Estamos num ponto de mutação, onde as pessoas e o planeta não suportam mais os excessos, a pressão, competição e o stress. Nos USA foi criado um mito de que a felicidade é ter dinheiro - More is better! Este é o mantra americano. Americana, Susan diz que para viver o sonho americano você tem que estar dormindo, porque se tornou um pesadelo. Vimos um gráfico onde os eixos são melhor (felicidade) x mais (materialismo). A curva é ascente e se acentua do nível de sobrevivência, passando pelo conforto e atingindo seu ápice no luxo. Mas a curva começa a declinar a partir do luxo, ponto chamado de "o suficiente". O ponto onde a curva volta a encontrar o eixo é "demais".
A questão é:será que mais é melhor mesmo? Depois do ponto "suficiente" o nível de felicidade não evolui, ao contrário, começa a declinar. Um estudo diz que o nivel de felicidade dos mais ricos da Forbes depois de alguns meses é semelhante aos dos Amish, dos Inuits que vivem em casas de gelo na Groenlandia ou dos Masais africanos, cujas casas são feitas de estrume. O PIB americano cresceu 3 vezes desde a década de 50, mas o FIB declinou em maior velocidade. Bobby Kennedy já criticava o sistema ao dizer que o PIB mede tudo menos o que faz sentido na vida. E não é à toa que 1 em 4 americamos sofrem de depressão, os índices de obesidade são gritantes, sem falar das paródias novaiorquinas de viver num apartamento minúsculo e rezar para que seu vizinho não fale com você.
A explicação deve ser vista como uma esteira rolante: nosso sistema nervoso se adapta e se acostuma. Por quanto tempo mais riqueza mantém a felicidade?
Num questionamento provocante, Susan pergunta: " O que vc preferiria? Ganhar na loteria ou perder as pernas num acidente de carro?". A resposta parece obvia, mas 1 ano depois as pessoas voltaram ao mesmo nível de felicidade. Lembremos do caso do ator Christopher Reeve e de seu acidente com o cavalo. Apesar de todas as limitações provocadas pelo acidente, ele ainda levantou US$ 25 milhoes para pesquisas para céluas tronco.
Existe então um ponto basal (set point) para a felicidade. 50% do nosso humor é genético. Mas boa parte pode ser alterada transformando nossa bioquímica, mobilizada por hormônios e neurotransmissores. A bioquímica está ligada à secreção do cortisol pelas glândula supra-renais. Esta é a epidemia do século! As pessoas mais felizes têm um nível de cortisol 32% inferior.
A depressão está ligada aos níveis de cortisol e as pesquisas científicas seguem por este caminho. O cortisol cria uma sensação tóxica no organismo que afeta a mente. Até agora depressão sempre foi tratada com aumento de serotonina. Os medicamentos que tratam os níveis de cortisol ainda não foram aprovados pelo FDA, mas podemos tentar reduzir seus níveis de forma natural. A Natura também está realizando pesquisas neste sentido. Os métodos naturais passam por técnicas de relaxamento produndo, massagem, toque e respiração adequada (diafragmática). Bastam 30 segundos de concentração e respiração para baixar os níveis de cortisol.
Então, o que é que traz mais felicidade? Conexão e companheirismo, pertencer a um grupo, por exemplo, convivência harmoniosa. A mudança passa pela cooperação, compaixão e amor. O que os economistas de classe Premio Nobel têm discutido é que se o aumento do PIB não aumenta a felicidade, então estamos usando a métrica equivocada. A comparação é entre a habilidade de produzir e consumir versus a felicidade e a satisfação.
Neste sentido a França está indo além do IDH (indice de desenvolvimento humano) e acrescentando outras dimensões subjetivas e materiais para compor o FIB, mas que podem ser medidas estatisticamente.
O modelo sistêmico tem 9 dimensões: padrão de vida, Educação, Saúde, Acesso à cultura, governança (transparência dos lideres), resiliência ecológica, vitalidade comunitária e no centro do sistema o bem estar psicológico.
Por fim, Susan acrecentou que além destas dimensões é preciso manter um senso de missão na vida, isto é, dedicar-se a uma meta maior. Não trabalhar só em prol de si mesmo, mas para a felicidade comum. Com lágrimas nos olhos ela encerrou dizendo que talvez não veja esta transformação na sua vida, mas que desejava aos mais jovens que possam protagonistas deste novo tempo.
Na Natura será formado um grupo piloto para exercício e reflexão deste novo modelo, do qual seguramente eu vou participar. Trabalho numa empresa em constante transformação, e apesar de que ultimamente meu FIB anda reduzido, em parte pelas demandas de trabalho, vou arrumar tempo para fazer parte desta ação. Seja por curiosidade intelectual, já que são estudos econômicos, seja para levar conceito e aumentar o FIB dos meus amigos e familiares.
Para conhecer mais o tema consulte os sites:
http://www.visaofuturo.org.br/
http://www.felicidadeinternabruta.org/
Eu acredito que a baixa do FIB está ocorrendo muito mais nas grandes cidades, no caso do Brasil, em São Paulo. Em SP não trabalhamos para viver e sim vivemos para trabalhar, e com isto a vida passa muito rápido porque o tempo todo estamos correndo atrás de futilidades que na maioria das vezes não nos traz satisfação, apenas frustrações porque sempre temos a impressão de não ter o bastante, e também por estarmos o tempo todo nos comparando com outros individuos, supostamente melhores, mais ricos, ou mais felizes, ou mais amados, etc.
ResponderExcluirHoje com meus 37 anos, muitas alegrias, vitorias, derrotas e frustrações, estou tentando equilibrar um pouco mais meus sentidos e sentimentos, buscando reduzir angustias tolas e sofrimentos sem sentido. Estando em SP é dificil tal equilibrio. Um caminho que escolhi e aparentemente esta me ajudando é o da espiritualidade, não religião, mas espiritualidade. Estou lendo mais a respeito e honestamente me sinto melhor a respeito de tudo que acontece em minha vida.
Em especial gosto de orar. Aqui deixo duas breves orações que gosto muito:
1ª - Oração do Amanhecer:
Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te a paz, a sabedoria, a força.
Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor.
Ser paciente, compreensivo, manso e prudente.
Ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês, e assim não ver senão o bem em cada um.
Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença.
Reveste-me de Tua beleza Senhor, e que no decurso deste dia, eu te revele a todos.
2ª- Ó Senhor, que eu tenha
a maturidade de aceitar simplesmente o que não posso mudar,
o desejo e o esforço para mudar o que eu posso,
e a sabedoria para saber a diferença entre o que posso e o que não posso mudar.
Não posso mudar a minha infância, os meus pais, todo o meu passado.
O que aconteceu na minha vida eu não posso mudar.
O que aconteceu, aconteceu. Não posso fazer nada.
Quanto ao que aconteceu, não tenho nada a lastimar.
Não tenho razão para estar triste ou deprimido ou zangado.
Deixo minha angústia quanto ao que aconteceu.
Aceito simplesmente o que aconteceu na minha vida.
E existem muitas coisas que posso mudar e consertar.
Busco a força de vontade e a competência para fazer esforços apropriados e adequados para mudar.
Não perco o meu tempo a tentar mudar o que não posso
e a aguentar situações que não são saudáveis, as quais posso mudar.
A diferença entre as duas, o que não posso mudar e o que posso, não é fácil de distinguir.
Novamente, é necessário sabedoria, para a qual eu invoco a Graça.
Ó Senhor, possa eu desfrutar e ter a maturidade de aceitar simplesmente o que não posso mudar,
a vontade e o esforço para mudar o que posso,
e a sabedoria para saber a diferença.
Leti ,maravilhoso o artigo ,parabens so poderia ter sido escrito por voce.Um comentario o FIB passa por ciclos na vida e e dificil mante-lo somente em alta .Os cilos da vida fazem com que o FIB se altere mas o que seria de nos se o mesmo nao se alterasse se nao tivessemos dificuldades e so felicidade ,creio que nos momentos de baixa e onde aprendemos portanto nao sei se posso concluir que o FIB em baixa nos ajuda a se preparar para uma nova fase de crescimento. Grande abraco do amigao KOLA
ResponderExcluirLet,
ResponderExcluirMuito legal mesmo. Agora consegui terminar de ler. Já conhecia em parte o conceito, mas parece que a palestra da Susan foi excelente. Pessoalmente acredito muito nisso, mas na realidade não é um conceito novo se pensarmos historicamente e talvez de maneira bastante simplória. Desde o início da humanidade sabemos que, qualquer formato de sociedade em que o ser humano coloque dinheiro (luxo, recursos ou o que mais a ganância permitir) como alicerce para a sua felicidade, está fadado ao fracasso. A frase dinheiro não traz felicidade pode parecer simplista, mas na realidade ela tem um significado incrível intrínseco. Penso que o indicador FIB é uma métrica alternativa encontrada para demonstrar o que historicamente já se sabe. A felicidade (ou sensação de sintonia com a vida) não está nas coisas materiais que conseguimos, mas nas relações de amor que construímos durante a nossa vida. Você disse que felicidade é aquilo que traz “...Conexão e companheirismo, pertencer a um grupo, por exemplo, convivência harmoniosa. A mudança passa pela cooperação, compaixão e amor. A questão principal, na minha visão, é que nós seres humanos (com a sua maior representação hoje nos americanos, seguindo o seu texto)colocamos talvez, de forma ponderada, um peso muito maior para a sobrevivência (física e social) do que para a sensação de satisfação e sintonia com a vida (felicidade). Na realidade tudo é cíclico e se assim pensarmos, hora ou outra esse modelo atual de "é preciso ter para ser feliz" vai cair, pois o ser humano está eternamente insatisfeito (o que em parte é bom, mas traz angústias para nós mesmos).
Provavelmente o indicador FIB é um "sinal de fumaça" para uma mudança que apenas parte dos seres humanos (como a Susan) se ligaram e que será uma espécie de "onda" que irá nortear a nossa sociedade no futuro. Sinceramente, espero que sim, pois aí o modelo irá privilegiar menos o "ter" e muito mais os relacionamentos duradouros, conectividade entre as pessoas, paz espiritual e social, além, claro, de amizades sinceras e especiais como a que eu tenho por você.
Sou seu fã, Let!
bjos,
Let,
ResponderExcluirEu só tenho uma pergunta, abandonarias tudo que tens para viver só de Felicidade?
Também sou seu fã!
Bjos!