sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Chegou a Busa!

No churrasco do meu aniversário eis que eu surpreendo uma galera na garagem fazendo um verdadeiro comitê a respeito da nossa moto, a queridíssima Maria Bonita. Motoqueiro tem um esquema parecido com o de mergulhador: só anda em bando. A questão é que a Maria Bonita é uma moto chopper ("tipo Harley") e o resto do bando tem moto esportiva. Até as esposas estavam no tal comitê tentando convencer o Hector a trocar a Maria Bonita. Uma das amigas veio toda entusiasmada: "Leticia, você não tem noção! Moto speed é outra coisa!".

Na prática, quando o bando sai, as motos speed saem voando e a Maria Bonita fica para trás. Tem um motorzão e é raçuda, mas não acelera no ritmo das outras. TRaduzindo, a Maria Bonita vai até 140 Km/h. Uma moto speed começa em 140 km/h e chega nesta velocidade em segundos.

Com 38 anos, olhei bem a Maria Bonita e com todo respeito lhe disse: "Você é moto de tiozinho". Somos jovens demais para ser velhos (com todo respeito) e ter uma moto de tio. A Maria Bonita é para passear....mas nós queremos é voar.

Hector passou semanas namorando a Hayabusa na Internet. Entrava no You Tube, me mostrava os videos, comparava com as motos do pessoal da nossa trupe. Fui conhecer a Busa ao vivo na loja e foi impossível não se apaixonar. Com a baixa do dólar, ter uma Hayabusa tornou-se um sonho possível. Sonho de menino grande do Hector, a Hayabusa Suzuki é a Ferrari das motos.

O nome Hayabusa é a tradução japonesa para Falcão-peregrino, o pássaro que é capaz de velocidades superiores a 320km/h[2] e é, também, o predador natural (talvez não por coincidência) do blackbird (nome atribuído a várias espécies de pássaros), em uma clara referência à CBR 1100XX Super Blackbird pois, quando foi lançada no mercado, em 1999, tomou o título de motocicleta mais rápida do mundo das mãos da Honda. Mas hoje a Hayabusa é a moto comercial mais rápida do mundo, alcançando 130 km/h em míseros 3 segundos. A velocidade máxima registrada no Guiness Gook é de 317 km/hora.

Caaaaaaalma gente! É muito entusiasmo mesmo, mas só os doidos do You Tube ficam tentando passar dos 300 km/h. Isso é coisa pra maluco mesmo e, se for para tentar, deve ser em pista de autódromo, com equipamento adequado e curso de pilotagem. Junto com a Busa, vieram outras demandas como seguro, localizador, equipamentos. Vestir meu Hector, uma criatura modesta de 1,85 e 100Kg num macacão de couro custou uma nota. Outro dia um amigo caiu da moto, e quando o bombeiro foi cortar o macacão para ver os ferimentos ele teve um chilique. Nem se preocupou muito se tinha quebrado algo ou não. Só gritava: Meu macacão não! Cadê meu capacete? Cadê a minha moto? Felizmente só lascou a clavícula.

Fato é que agora sim temos uma moto sensacional que combina com a gente. Modéstia à parte, é preciso uma certa experiência até para estar na garupa de uma máquina dessas. Não me atrevo a pilotar ainda, mas me dá coceira para ter a miniatura dela, uma Kawasaki Ninja. Ainda estou pensando. Um curso de pilotagem em Interlagos deve ser muito divertido. Mas de repente é mais diversão estar na garupa da Busa mesmo.

Pode parecer um contrasenso eu estar escrevendo sobre a Busa logo depois do post da Felicidade Interna Bruta. Testando o conceito, eu sou mais feliz no dia que ando na Busa. Não se trata de TER a Busa, mas de toda a experiência de liberdade e aventura que ela nos proporciona. Sem falar num motivo a mais para encontrar os amigos, inclusive meu Brother. A moto socializa e em cada passeio aparece mais alguém para ir junto, e assim a gangue vai crescendo.

Motoqueiro não precisa de motivo para andar de moto. Sai até para ir entregar pizza se bobear. Às vezes saem só para "acelerar". Nestes passeios eu não vou. Em geral só vão os homens, que andam quase 400 KM num dia, tomam uma cerveja e voltam felizes....e exaustos.

Na estréia da Busa, eu saí toda exibida, só de top, com minhas asinhas de fora. Era um lindo dia de sol e a gente curtiu andar devagar pelo bairro. Qualquer um fica mais bonito em cima daquela moto. Impossível olhar e não dar uma "invejinha branca", da moto, do piloto, da mulher alada ou do conjunto da obra.

Muita gente me pergunta: Você é louca? Não tem medo? Claro que eu tenho medo. Se não tivesse é que seria louca mesmo!

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