Por Diva Luisa de Lucca
Na capital do reino da Brasilândia decidiu – se, democraticamente, que todos os funcionários públicos deveriam ingerir um pedaço de vidro branco, diariamente, não importando a qualidade, mas deveria ser totalmente transparente. Essa decisão foi baseada nos resultados de uma pesquisa científica, esta comprovava que comendo vidro os seres humanos ficavam com a mente clara, transparente e translúcida, como o vidro quando é atravessado por um feixe de luzes.
Passados quinze dias do início da prática de comer vidro, os primeiros resultados se fizeram sentir.
As pessoas chegavam sorrindo ao trabalho, pois a transparência imperava. Quando brilhava o sol todos ficavam translúcidos.
Desapareceu o medo, a competição, a raiva e os outros problemas inerentes ao convívio humano, notadamente em uma sociedade neo – liberal.
A corrupção caiu a nível zero.
No Senado e na Câmara os melhores projetos, engavetados há longo tempo, foram aprovados com um amplo e translúcido acordo.
O corpo executivo, translucidamente, não vetou nenhum projeto.
O Judiciário, finalmente, conseguiu julgar com isenção translúcida, protegendo os mais fracos e desvalidos. Os juízes iluminaram as crianças, desapareceram as prisões ilegais de menores e os estupros.
As Forças Armadas se uniram e rumaram para as florestas, zelando pela bio diversidade e pela integridade das populações indígenas.
Com o passar do tempo a população do reino foi adquirindo o hábito de comer vidro.
Os pequenos produtores se uniram e passaram a produzir pequenos e lindos pedaços de vidro, translúcidos, coloridos, que eram consumidos ao amanhecer pelos habitantes do reino.
A entonação do falar mudou, tornou - se doce. Variava de acordo com a tonalidade do vidro.
Todos brilhavam. Essa parte do planeta reduziu o consumo da energia elétrica.
Os tripulantes das naves espaciais esperavam, ansiosamente, passar pelo Reino da Brasilândia, quando podiam avistar a população translúcida e feliz.
18.06.08
Que loucura viajante....
ResponderExcluirJá comecei a comer vidros eu próprio. Estou vendo tudo com mais clareza tambem.
Pensei até em iniciar uma produção de uma ferramenta (ainda não patenteada) de cortar vidros.
Aí poderemos provar vidros diferentes, onde passamos. Tipo, comer um pedaço do monitor do computador do chefe, da janela do carro (carro blindado deve ser tipo torrone dos vidros), de uma catedral com vitrais coloridos...
Gostei da idéia. Acho que dará para enriquecer!