Voltei a treinar há alguns dias e hoje voltei a fazer aula de corrida na academia.
E na aula de hoje, além da música que dá aquela turbinada no treino, a Profa. colocou um video sobre a história da competição Iron Man (homens e mulheres). Incrível! São cenas maravilhosas de risos, vitórias, superação...atletas que cruzam a linha de chegada gritando de alegria, outros que cruzam engatinhando e ainda há aqueles que não conseguiram chegar. Há um capítulo especial para a história de um pai que correu o Iron Man várias vezes empurrando o filho deficiente na corrida e puxando o carrinho com a bicicleta. Tem que ser Iron - não só o corpo, mas a mente, o coração, a fé e a coragem. Uma prova destas pode passar de 8 horas, em 3 modalidades (natação, bicicleta e corrida).
Nascer brasileiro tem uma vantagem: você não vai precisar aprender a falar português, que é uma língua bem difícil de aprender. Faço este comentário do idioma porque em inglês o verbo TO BE significa ser e estar, e você só entende no contexto da frase, o que economiza muito vocabulário.
Quando estava na aula hoje, eu não "era" atleta, mas "estava" mais atleta só de ver aquele vídeo e estar na aula com mais gente treinando. Em português dá para diferenciar Ser de Estar, e é bom na vida ter uma boa noção da diferença.
O grande lance hoje é que voltei ao treino com um rendimento melhor. Na aula a gente faz trote leve, começa a correr leve, forte e mais forte. Além de trabalhar a velocidade também trabalha constância, ritmo cardíaco e inclinação. Eu aumentei minha velocidade em cada estágio no plano. Hoje eu faço 10 Km em 1 hora e 10 minutos (no chão de verdade). Espero melhorar este tempo para 10 Km em 1 hora ainda neste ano - sem me arrebentar de novo é lógico. É muito difícil vencer estes 10 minutos, até para um atleta profissional. Mas por alguns minutos na aula eu corri a 9,5 Km/hora no ritmo forte e cheguei a 11 Km/hora no mais forte. São séries curtas, de 2 minutos, mas naqueles minutos preciosos chego perto dos meus objetivos e vejo que vai dar.
Faltam "só" 50 minutos, talvez mais, porque da esteira para o chão e com as inclinações do percurso 10 Km/hora viram 8Km/hora e até menos. O frequencímetro aponta que no pico eu já estou a 95% da minha capacidade respiratória - ainda tenho 5% de reserva, mas já é o limite. Só que não existe frequencímetro na sua cabeça, na sua mente, nem na sua alma. São elas que fazem com que você se supere, que peça a Deus só mais 5 minutos de pernas para fazer o último kilometro.
Numa provinha de 10 Km (na maratona são 40Km), uma corredora amadora como eu pede 10 minutos de pernas e ar no Km 8, porque entre o Km 9 e o Km 10 é pura adrenalina, motivação, vontade e fé. Eu rezo no início das provas para que os anjos me acompanhem e me carreguem no final. A partir do Km 9 já tá chegando, é só mais 1 músiquinha no iPod. Vai na "baguela". Na última prova eu pedi e Deus me atendeu, mas custou meio caro porque me machuquei e fiquei 1 mês parada. Ele me atendeu para eu aprender sobre ter limites. Foi uma lição dura e dolorida. Nessa hora tem que ser Iron (no sentido de forte, não de frio). Iron para ter juízo e parar. Há atletas profissionais que chegam a desmaiar, são carregados e até chegam engatinhando! Não desistem! São traídos pelas pernas que se recusam a fazer o que a mente de aço quer. O Homem é mecanicamente perfeito, divino, porque Deus foi capaz de nos programar para parar, mesmo que a mente teimosa insista. Por outro lado programou a mente para ser persistente, para que o corpo lute para ser melhor.
A neurociência tem explicado muitas coisas. Num ambiente onde há mais espaço e incentivo para criatividade e inovação, você será mais criativo e inovador. A rede neural do seu cérebro aprende com a rede neural dos que estão a sua volta, e 2+ 2 são muito mais do que 4. Por isso todo mundo é capaz de ser criativo! Eu já vi isso acontecer mais de uma vez no meu trabalho. Parece um milagre. Parece não: é! Somos criaturas perfeitas e divinas, programadas para aprender melhor com os outros, desde que sejamos humildes para entender isso. No esporte é quase assim. Aprendendo sobre persistência, superação e limites. Aprendendo com os outros, companheiros de treino, professores e treinadores você pode ser um bom atleta, no seu limite, mesmo que não seja o melhor. Embora não pareça, a corrida é um trabalho em equipe.
O mundo já viu grandes gênios e grandes atletas, mas eles são cada vez mais raros. Os gênios porque a tecnologia da informação permite a ampla distribuição de conhecimento e é cada vez mais difícil ter uma idéia original sozinho. O grande Steve Jobs, o pai do iPod, tem um exército de mentes brilhantes ao lado dele. Os atletas já estão no limite da máquina, brigando por milésimos de segundo, centímetros, ao ponto que torna-se discutível se um atleta paraolímpico de pernas mecânicas não leva vantagem sobre um atleta regular numa corrida de curta distância. De fato, a perna mecânica mais moderna do mundo confere vantagens porque projeta o atleta com mais eficiência. Ainda assim ambos têm mentes e almas de aço para estarem ali.
Um triatleta é sempre mais forte em 1 modalidade. Na vida você tem que ser forte em várias: bom filho, cidadão, pai/mãe, profissional, amigo.....e procura ser Iron em quase todas. A corrida só acabada quando você cruza a chegada, mas se não cruzar sempre haverá outras. Na vida nem sempre temos a mesma chance. Então, já que o cérebro aprende em rede, eu procuro estar com gente boa, para poder ser, e não estar, um ser humano melhor. É só 1 chance e não dá para disperdiçar.
Eu nem acredito que hoje eu escrevo sobre esporte, porque há 1 ano atrás eu jamais pensaria sobre isto. Ainda mais sobre corrida. E menos ainda que fosse sair para correr numa manhã gelada na fazenda onde meu grupo de trabalho se reuniu por 2 dias. O truque foi ter dormido com a roupa do treino, mas uma amiga triatleta se comprometeu comigo e bateu na porta do meu quarto pontualmente às 6:30 am. Depois de um dia confuso, aquele ar gelado entrando pelos pulmões me fez um bem danado.
Termino este texto sobre alguns dos meus aprendizados com o esporte com um episódio que foi mais uma lição. Uma moça muito bonita, corpão de atleta e desempenho de atleta estava treinando do meu lado. Na tela o vídeo maravilhoso do Iron Man. Entre outras coisas, é bem comum na corrida que um atleta não consiga pegar o copinho de água, mas o colega de trás pega ou o da frente divide. Lá pelas tantas o painel da esteira dela parou e a doida começou a socá-lo aos palavrões. Uma falta de respeito e de educação completa com a Profa, a academia e os outros que estavam na sala. Isso não é atitude de aluno muito menos de atleta. Porque não jogou o iPod dela na parede? Fiquei com uma vontade IMENSA de dar uma toalhada (que já estava enxarcada de suor) naquela babaca. Talvez eu fizesse isso mesmo há não muito tempo atrás (outra hora eu conto da São Silvestre). Comentei com a Profa, e ela disse que não podia fazer nada, e que não era a primeira vez. Ela é muito tolerante e paciente, porque a mente já está treinada para esse tipo de "desafio". Não me convenceu, mas como aluna e cliente da academia eu podia reclamar. Não reclamei, mas dei uma toalhada na lindona de outro jeito. A aula acabou e ela ainda continuou correndo. Não ia continuar por muito mais tempo e eu tinha certeza que em uns 10 minutos ela ia aparecer no vestiário. Na conversa com a Profa no vestiário TODO mundo ficou sabendo que tinha uma loira babaca socando as esteiras na aula. Touché! Saí fora e ...... a fofoca e invejinha devem ter feito o resto do serviço, melhor do que uma toalhada molhada no meio na fuça. Somos seres mecanicamente perfeitos, mas fofoca e inveja são defeitinhos do ser humano, um bug no nosso sistema operacional - ainda mais se tratando de uma loira de corpinho perfeito.
Let's Go! Keep walking!
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