segunda-feira, 26 de abril de 2010

O simples, o complicado e o complexo

Há algum tempo venho martelando estas idéias na cabeça desde que um amigo me sugeriu ler "O pensamento complexo", de Humberto Mariotti. Na mesma época, durante os 2 dias de palestras com o Maturana, conheci um jornalista que me disse que eu sou complexa. Aí eu fiquei pensando sobre o que é ser complexo e o que é ser complicado, e se dá prá ser complexo sem ser complicado.

A idéia central do livro é que o pensamento complexo sugere que se integre o pensamento linear-cartesiano com o pensamento sistêmico, onde cada um isoladamente é necessário mas não suficiente para lidarmos com a complexidade, a diversidade e a imprevisibilidade do mundo.

Sobre imprevisibilidade eu andei lendo o Black Swan e na fila está outro título que é "A força do absurdo". Meu marido vive me perguntando porque eu leio essas coisas, mas eu gosto de desafiar o pensamento.

No dia a dia e na convivência com as pessoas até que as teorias são úteis. Um amigo me diz que eu vivo "teorizando", monto equações para tudo e olho a minha vida em quadrantes. Para mim até que é um elogio. Como eu quase nunca me contento com uma resposta óbvia, é quase um vício mental. Só que há dias que a cabeça vira um realejo de tantas coisas e aí vale a máxima "penso logo não durmo". Na verdade eu dormiria melhor se simplificasse algumas coisas mesmo. Se diminuísse o número de variáveis....prá começar o meu trabalho, que é complexo e complicado. Mas isso me diverte.

Outro dia um amigo que não é do mundo das exatas estava com uma complicação danada. Achou meio estranho quando eu pedi as "variáveis do problema" e tentei dar um peso para cada uma. Não é que deu uma clareada? Tá bom que era uma inequação, mas até as inequações têm solução. No final me disse que ele era complexo e complicado, por isso era uma inequação. Já outro sempre me responde: "Isso é soma zero Letícia!!!! Não tem solução!!!!". Eu preciso ler a teoria do absurdo para achar uma resposta a estas afirmações. Engraçado que este mesmo sujeito outro dia foi me explicar como a vida dele anda complicada, desenhou a árvore do problema no guardanapo do bar e saiu com 3 cenários de solução. Ahá te peguei!

Para minha irmã eu fiz um "mapa estratégico" para ela poder escolher o melhor pretendente. Por isso que a qualquer hora era me liga com a famosa frase: "Putz, estou com um problema". Quase nunca é um problemaaaaaa, mas ela acha o máximo receber uma resposta simples disfarçada de complexa. Aliás, aos domingos nós criamos um ritual novo muito divertido. Depois da sobremesa, apesar de todo mundo estar prometendo parar de fumar, minha irmã, minha cunhada e eu nos reunimos no quintal para o Comitê da Meninas, para repassar mapas, estratégias, dar coaching e fazer alinhamento. Obviamente, sempre vem um marido xeretar.

Pensar complexo, linear e sistêmico, já é parte da vida de todos nós. Falar de diversidade é simples, aceitá-la e conviver com ela é complexo. Quando você fica 1 hora na Marginal Pinheiros é simples, descobrir no dia seguinte quantas variáveis tornaram sua vida um inferno é complexo. As questões sociais e ambientais são complexas, e a solução só virá de inteligências múltiplas.

Um almoço de domingo que deveria ser simples pode acabar virando complexo e complicado. Basta fazer o comentário errado para sua mãe, e aí use a teoria do caos!

Um comentário:

  1. Lê, para tudo hoje em dia, as pessoas dizem: Isto é um problema. Difícil é pensar estrategicamente e, acima de tudo entender que na maioria das vezes, a solução é bem simples.
    Mas, também já percebi, que mentes como a minha e a sua trabalham, mais do que devem, por isso sua máxima é perfeita. "Penso logo, não durmo".
    Falar de Diversidade, na minha opinião não é simples, é complexo, porém se torna algo complicado...quando se percebe que Nós Somos os Outros, dependendo do referencial.bj

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