Uma das cidades que eu mais curti foi Coimbra. Está no centro de Portugal, por ela passa o grande Rio Mondego, que passa pequenino na terra do meu pai, mistura tradição e a alegria dos estudantes da famosa Universidade de Coimbra. Também tem um lindo parque infantil, Portugal dos Pequenitos, com uma cidade em miniatura e a réplica dos castelos, mosteiros e palácios mais famosos de Portugal. Deixei umas lágrimas por lá como boa portuguesa, com certeza. Eu visitei aquele parque quando tinha 4 anos e esta é uma das mais nítidas memórias de infância que eu tenho. Voltar lá foi emocionante.
Coimbra foi uma cidade amuralhada. Várias partes da muralha viraram paredes de outras construções. Haja pernas para subir e descers as escadinhas e becos de Coimbra!!!! A cidade é meio caótica, mas é um charme.
Um dos pontos de interesse da cidade é visitar a Torre Almedina. Lá tem uma explicação muito legal e toda high tech do que foi Coimbra. Debaixo dos arcos da torre há umas lojinhas bem legais. Parei em uma para comprar as famosas e lindas (e caras) cerâmicas. Em outra parei para comprar livros, postais e presentes. Era uma lojinha muito pequena e o dono uma simpatia. Ficamos um bom tempo conversando com ele e saímos com dicas preciosas de um retaurante e 2 opções para escutar fado.
O fado é de Lisboa, mas também se canta em Coimbra. O dono da loja nos indicou um lugar novo onde tocava "fado de doutor" e um botequim onde tocava "fado futrica" , o equivalente a uma rodinha de samba ou barzinho de MPB. "Vocês têm que visitar os dois", disse ele.
O jantar no lugar indicado foi um espetáculo. O Dono tem 81 anos e atende pessoalmente os clientes com uma energia e simpatia incrível. Depois fomos ao Capella, o lugar indicado para o fado doutor. Em Coimbra canta-se fado de preto, por respeito. O tal do doutor em questão é um cara que comprou uma capela e lá dentro montou sua casa de fado onde a atração principal é ele mesmo e seus convidados. Adorei a idéia de comprar uma capela para promover os shows dele mesmo. Tem até DVD e CD's para comprar! Não era lá um grande fadista, a bebida era caríssima, mas valeu à pena. Conhecemos o cara na saída, uma simpatia como não poderia deixar de ser.
Do Capella partimos para o Deligência, um boteco underground onde os estudantes improvisavam o fado, chamado de futrica ou vadio. LOTADO. Sentamos na mesa de um casal desconhecido, nos 2 últimos banquinhos do bar. O lugar era pequeno e muito enfumaçado. Mas na hora de cantar, psiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuu, que fado é coisa sagrada. Todo mundo em silêncio para escutar.
Havia 2 mesas de gente que cantava e tocava. Os estudantes se enrrolavam en volta das pequenas mesas como um caracol. Fumando muito e tomando muita vodca, surge a Pequena Amália. Uma menina franzina de uns 20 anos, muito linda, que abria a boca e soltava um vozeirão. Por vezes esquecia as letras no meio e morria de rir, mas não importava. A Pequena Amália foi a voz feminina mais linda que escutamos em Portugal. Acompanhado a moça uns 5 caras, velhos e novos, tocando guitarra e violão.
Outras estrelas foram os guitarristas mais jovens. Um rapaz careca, de piercing na boca e correntes nas calças encheu meus olhos de lágrimas quando cantou "Sozinho". Pena que lá em Portugal eles tentam imitar o sotaque brasileiro, quando o mais bonito é escutar nossas canções naquele sotaque enrrolado. Da voz de um outro fadista cabeludo escutamos um dos meus fados preferidos, eternizado na voz de Carlos do Carmo: Meu amor, Meu amor. A letra é linda e o rapaz mandou bem na voz e no violão.
Depois de umas cervejas e muitas canções depois, terminamos a experiência de fados em Coimbra. No caminho de volta para o hotel ainda cruzamos com 2 grupinhos de estudantes cantando nas escadas de Coimbra, algo muito comum. No final da viagem elegemos o Diligência e a Pequena Amália como um dos melhores momentos da viagem. Eu daria tudo para ser aquela moça por apenas 1 noite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário