segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

I´m Back!

Sábado à noite, corrida noturna da Reebok. Me deu um certo frio na barriga, porque na corrida do ano passado eu estourei o meu tendão. Além disso eu fui sozinha para a USP porque o Hector foi no aniversário da filha de um amigo.

Estava bem bonito, iluminado, som bacana e com os coloridos do Natal, mas no ano passado estava mais animado e tinha bem mais gente. Pela primeira vez corri num evento menor. Por menor leia-se umas 3 mil pessoas. A prova da Nike reúne umas 10 mil e a São Silvestre quase 20 mil.

Numa corrida que deve terminar em 1 hora, a largada atrasou mais de 20 minutos. Coisa de mauricinhos e marketeiros. Eles não controlam o dimer do sol. A corrida tem que ser noturna ora, então vamos esperar até ficar escuro para começar. Já fui marketeira durante mais da metade da minha carreira e até entendo. Só no escuro é que os efeitos visuais ficam legais. Um cara esquiou no céu, num rastro de estrelinhas. Depois o balão da Reebok acendeu e foi dada a largada. Mas enquanto tudo isso não acontecia a moçada ficava lá na maior azaração procurando lugar na largada, de preferência onde a população fosse mais maneira. Tô eu lá de novo observando o que as pessoas fazem para disfarçar minha ansiedade.

Logo no início um trio elétrico jogava espuminha para parecer neve. Tinha também um corredor com uma galera vestida de Papai Noel. Uma moça esquece da prova e fica lá embaixo da espuma dançando. A proposta da prova era de mais diversão que performance. Na prova anterior o negócio era mais sério, veio gente de fora para participar e valia pontos de classificação no circuito internacional. Eu é que sou muito cabeçuda e levo tudo a sério demais. Ver os quenianos voltando quando ainda não cheguei nem na metade dá o maior desânimo, mas dá um putz de um orgulho de estar junto com eles.

O primeiro km de qualquer prova já mostra mais ou menos o que vai acontecer. O que doer, vai doer mais. O que pinica ou aperta vão infernizar a corrida toda e assim por diante. Naquele dia, apesar de ser início de dezembro, o frio foi aumentando. O que pegou mesmo foi o medão de ficar para trás ali no meio da USP. Estava bem iluminado e com bastante gente de apoio. Enquanto eu podia esticar o pescoço e ver o primeiro pelotão tudo bem. Depois do meio da prova comecei a abrir distância e prestar cada vez mais atenção em quem estava em volta. Pode parecer incrível, mas mesmo com 3 mil pessoas deu para sentir a sensação de deserto.

Estou quase em forma de novo. Adradeci a chatice da musculação e também fiz um agradecimento coletivo aos personagens do Ecossistema que me ajudam a cumprir a rotina. Desta vez não me arrebentei e terminei super bem. Claro que cansei prá burro e lembrei do que um professor do MBA disse no primeiro dia de aula. Ele passou um aperto num mergulho e nos deu a lição de que na hora da crise o melhor é recorrer a uma boa teoria. Barriga prá dentro, ombro alinhado, pisa firme, cabeça prá frente, olha a frequência, e isso, e aquilo. "E sorria! Isso aqui é diversão! Vocês não estão carregando pedra!", disse um cara da organização. Olho pro lado e caio na risada junto com uma outra corredora que devia estar sentindo o mesmo que eu. Já eram 9 horas e a Flora devia estar matando alguém na novela.

Ao passar pelo tapete vermelho da chegada e escutar meu nome fiquei imensamente feliz por estar de volta. Mas logo reflito que há pouco mais de 1 mês eu passei por um dos momentos mais difíceis da minha vida. A vida me recebeu de volta com tapete vermelho e estou pronta para a próxima!

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