quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cara de Samambaia

Detesto fazer cara de samambaia e dar aqueles sorrisinhos corporativos. Mas às vezes a única saída é a cara de samambaia, fazer o quê??? Faz parte do kit de sobrevivência corporativo.
Imagine aquela animação de samambaia! Emoção de samambaia! Super corporativo.

Dr W e Dra M vão se orgulhar amanhã. Tive relações egocêntricas empáticas de altísssimo nível no final de semana passado. Foram, tão empáticas, tão desprendidas, que neste sábado rola uma feijoada de homenagem aqui em casa. De coração mesmo. Alto da pirâmide de Maslow expandida!!!!!

Mas quem ganhou o prêmio nesta semana foram minha cunhada e meu cunhado. Grande sujeito. Grande garota. Pararam no Free Shop em Portugal e compraram um Kit Saudades Português para meu pai, que incluiu Vinho do Porto, Queijo da Serra e CD de Fados. Para meu pai, que nem é parente deles, mas é meu pai, que adora e se diverte com o sotaque português dos meus cunhados que agora moram em Angola. Poucas vezes eu vejo meu pai tão entretido e entusiasmado.....E eles têm aquela paciência para escutar as histórias do Discovery Portuga Channel. Sim , porque meu pai viu a Nau chegar em Porto Seguro, sabe tudo, até a cor da cueca do Pedro Álvares Cabral.

Mas eles também estão cansando de fazer cara de samambaia.....a bacia de jabuticaba ainda está cheia, mas não vale a pena deixar a bacia esvaziar para ficar chupando o caroço. Fazer cara de samambaia sempre não vale a pena, apesar de necessário. São 10 anos mais novos que eu, mas não querem 10 anos de jabuticaba e de cara de samambaia.

Minha amiga VK deve se lembrar das férias que passamos em Porto Seguro quando eu li na Revista Nova (que cultura!) sobre a Síndrome da Impostora. Dei um grito no meio da praia deserta, finalmente havia descoberto! Eu era uma impostora e tinha pânico de que um dia alguém descobrisse que eu era uma fraude. Esse era o problema!

Que problema???? Pura idiotice!!! Como é que eu cheguei ao ponto de me convencer de que eu tinha Síndrome da Impostora? Fiz muita cara de samambaia durante anos, e aí me identifiquei com essa Síndrome da Impostora. Na dúvida, cara de samambaia, safe shore. Cara de Comitê da Belíssima, sabe?

Alguns anos depois, litros de florais, litros de vodka, tarjas vermelhas e pretas, quase 40 anos nas costas, vejo que tudo isso é uma grande babaquice. O problema é me convencer realmente de que é babaquice. Um amigo disse outro dia que a cada 3 anos aparece um FDP prá te puxar o tapete e sacanear. Graças a Deus não tenho esta estatística. Mas ele é especialista em cara de samambaia, apesar da sua personalidade inigualável. Não sei como ele consegue.

Hoje me disseram que eu sou a mais paulistana (ou paulista) da diretoria. Enche o saco que estejam sempre falando algo a meu respeito. É que abandonei a cara de samambaia há algum tempo. Sei lá o que ser a mais Paulistana quer dizer. Dizem que os Paulistanos são metidos, falam "meu", são semi-italianos....Seja lá o que for, MEU, sou paulistana, mas não com de cara de samambaia. Minha família é toda da Móoca Bello! Meu tio é presidente da associação! Mamãe nasceu pelada na 25 de março porque o enxoval atrasou. Papai veio com 16 anos para o Brasil para não morrer na guerra de Angola. Quando meus pais se casaram e foram morar na zona Sul de Sampa era um absurdo! Morar naquele mato, perto do aeroporto! Mas eu e meus irmãos queríamos a Móoca, onde dava para andar descalço, comprar fiado na conta da Vó Naza na esquina, comer talharinada com pomarola, jogar taco na rua com a italianada, comprar esfiha na Juventus, assistir jogo na Rua Javari. E no final do dia, um banho de esguicho, e vestir a camiseta da Lusa. Hoje taco é jogo "cult". Tem gente que compra o jogo em loja de brinquedo "conceitual" na Vila Madalena (pelamordedeus é só um pedaço de pau com uma bolinha!). Mas não é pior do que comprar Pipa no Villa Lobos ou no Ibirapuera.

Também posso ser a mais paulista, porque morei 4 anos no interior, em Araraquara. Quando voltei pra Sampa minha mãe me mandou na fonoaudióloga - que sotaque horrível aquele de além Km 70 da Anhanguera/Bandeirantes???? Pumba (um ruído seco na madeira)! Que foi filha? Tirei a lente e bati a cara na poorrrrrta. Buááááaá! Pára de falar assim menina!!!!! Assim como? Eu morava com 3 piracicabanas, 1 campineira e 1 de Lençois Paulistas. Mas que delícia ir na Festa do Peão (em qualquer fim de mundo) e torcer para a Ferroviária (time de Araraquara) no estádio municipal. Também torcia para o XV de Piracicaba ( o xis vê), timeco da segundona, mas todos eram bons motivos para estar com a turma e tomar cerveja Polar. Ser a única paulistana não era diferencial nenhum. Tiravam o maior sarro de mim porque eu só conhecia vaca no zoológico, não sabia tomar pinga pura e jogar truco. Não tinha cara de samambaia que desse jeito nisso. Mas minha família tinha rotisserie, a lazanha era muito boa, a cerveja farta, e nossa casa era point em Sampa.

A Exame Samambaia jaz em cima da mesa. A Veja Samambaia toma sol no jardim todo fim de semana. As samambaias crescem indisciplinadamente no jardim.....plantinha pré histórica. Herdei as minhas da Vó Naza e elas continuam crescendo, se espalhando em qualquer lugar.

Toda vez que eu tento ser corporativa e faço cara de samambaia me dou mal. Acho que tenho que escolher outra planta. Ou ter o zap na mão prá gritar TRUCO MARRECO!!!!!!!

2 comentários:

  1. Vi seu post e no dia seguinte essa frase. Não pude deixar de associar.

    Traduzindo: "O sorriso é o veículo escolhido para todas as ambiguidades."

    "A smile is the chosen vehicle for all ambiguities."

    --Herman Melville,
    American author

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  2. Leti,

    Perguntinha básica??? Aquela foto que voce colocou no seu perfil do blog é de Cara de Samambaia ne?

    hehe

    Beijos,
    Marcio

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