segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sobre pais e monstros

Eu não queria que este fosse o assunto do primeiro post do Let´s Go!, mas não há como passar batido no caso na menina Isabella. Não quero chover no molhado. Mas não paro de remoer esta história a cada detalhe horrível que aparece, mostrando que não são 2 loucos psicopatas, mas uma família inteira deles. Avô, Tia-Madrinha, Madrasta (reinventou o conceito), pai e sabe-se lá mais quem para acobertar este absurdo todo.

Hoje um sujeito na CBN fez um daqueles comentários típicos em casos de tragédia, de que a mídia deveria dar a mesma atenção à CPI dos cartões corporativos e à bandalheira que acontece no nosso país, do que ficar fazendo sensacionalismo em cima do caso da menina. Claro que há sensacionalismo, oportunismo e até gente ridícula que se fantasia de anjo e vai para a porta do prédio divulgar a "sua desgraça" aproveitando a da menina. Ou o infeliz que estava chocado, mas sabia que ali nas redondezas ia haver muito movimento e se ligou que ia vender mais sorvete. Realmente absurdo. Mas no meio dessa turma de gente que não tem o que fazer, aparece uma senhora muito simples, que resume uma pergunta bem básica: se eles não são culpados, por que não vieram ajudar a polícia a esclarecer o caso?

Estimado senhor entrevistado da CBN (neuro algo, não era jornalista, pena que não lembro o nome), o Brasil está chocado em ver uma família inteira empenhada em acobertar este crime horrível. Se minha sobrinha (Deus nos livre) tivesse sido assassinada, eu ia ter estômago de ir comprar tintura de cabelo para limpar o rastro da desgraça? Errou filhinha! Nem que você tivesse comprado Easy Off Bang, o produto mais poderoso para arrancar sujeira do mundo, seria possível limpar o sangue da menina, sua sobrinha e afilhada, e a vergonha do sangue das suas próprias mãos. Queria também saber como a madastra monstro acomodou os filhos naturais em outro cômodo para depois voltar e esganar a enteada. E aquela história absurda do coração no vapor do chuveiro? Tia Carol reinventou o conceito de madrasta!

Há não muito tempo o Brasil ficou de luto pelo menino João Hélio, assim como agora está de luto por Isabella, e as outras 4 mil crianças que morrem de forma violenta por ano. Poucas vezes temos o sentimento de que a justiça será feita. Vimos a polícia atuando de verdade (meio atrapalhadinha, mas supreendentemente melhor do que costumamos ver), um promotor classudo com pinta de filme americano e com jeito de quem não está para brincadeira, serenamente explicando como a familília mosntro vai pagar po isso. Podem dizer que é curiosidade móbida, falta do que fazer, mas ver a polícia, a perícia, o promotor me dá esperança de que tem muita gente boa trabalhando por uma sociedade melhor.

Todo sensasionalismo é válido para lembrar o Brasil deste problema social gravíssimo, presente em todoas as classes sociais, sem perdão. Apesar daquela cena repetitiva da reconstituição ter ficado no ar o domingo inteiro, derramei lágrimas até por aquela boneca inerte que representou Isabella.

Para terminar, vale a pena ler a coluna de Lya Luft na edição da Veja desta semana. No detalhe da página diz assim: " Não a vi abraçada, levada no colo por alguém desesperado que tentasse lhe devolver a vida. que a cobrisse de beijos, que a regasse de lágrimas. Estava ali deitada, a criança indefesa, como um bicho atropelado com o qual ninguém sabe o que fazer. Na nossa sociedade, em que as sombras mais escuras do nosso lado animal andam vivas e ativas, lá ficou, por um tempo interminável, caída, quebrada, arrebentada, e viva, a menina quase morta. Sozinha."

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